lunes, junio 27, 2005

Agulha conversou con Carlos Barbarito
Agulha conversou com alguns importantes poetas em vários países da América Hispânica em torno de aspectos que podem ser considerados balizas viáveis para a identificação de uma consciência poética, possibilitando ao leitor compreender quais relações estabelecem os poetas com seu tempo, seus pares e as condições históricas que definem o próprio desdobramento de seu trabalho. Ao longo de várias edições, seguiremos ouvindo a diversos poetas, sempre preocupados em levar ao leitor um cenário que ambiente a visão de mundo desses poetas, particularizando a realidade da poesia na América Hispânica. Neste primeiro momento, conversamos com o venezuelano Juan Calzadilla (1931), o colombiano Raúl Henao (1944), a chilena Sonia Murillo-Martin, os mexicanos Blanca Luz Pulido (1956) e Eduardo Arellano Elías (1959), o argentino Carlos Barbarito (1955), os peruanos Pedro Granados (1955) e Reynaldo Jiménez (1959), e os uruguaios Washington Benavides (1930), Alvaro Miranda (1948) e Mariella Nigro (1957). (F.M.)
1. Quais são tuas afinidades estéticas com outros poetas hispano-americanos?– Se algo se destaca no cenário atual da poesia hispano-americana é a não comunicação entre autores, inclusive, falo agora de meu país, entre os que, teoricamente, deveriam estar próximos, ou bem próximos, entre si. Assim, do Uruguai sei de Héctor Rosales porque é amigo de muito tempo e de nenhum outro poeta; do Brasil tenho escassas notícias – com a exceção do Jornal de Poesia –; de outros lugares, meu conhecimento se detém em nomes e obras da metade do século porque já são matéria de antologias. Obviamente, é da Argentina de onde me chegam as mais abundantes notícias e para minha casa muitos poetas enviam seus livros – aqui faço referência a uma problemática de meu país na questão da poesia editada: a falta de distribuição e difusão, a dureza que é publicar. Falo então de meu país. Não há uma estética dominante, embora muitos tentem demonstrar o contrário, mas sim uma variedade de estéticas que se desdobram em leque. Cada poeta, trata-se de um fenômeno já de mundo estendido pelo mundo, propõe sua estética, dá a conhecer sua obra – que não está, com freqüência, ligada a um estilo, um modo de dizer, uma única formulação –, com a qual o olha do estudioso dificilmente topa, ainda que tenhamos muitas antologias. Parece-me que, além desse mosaico, há pontos em comum entre os poetas argentinos das últimas décadas. Conseqüências de uma história vivida – e sofrida – que são percebidos no uso de certas palavras, de certas atmosferas, de certas imagens. É que, recorro a Adorno, depois de nosso Auschwitz já não foi possível a poesia como a vinham entendendo e escrevendo; tudo se deslocou, transtornou-se, li por ali que a elegia, típica dos poetas dos anos 40, abriu caminho para espécies de fórmulas de exorcismo. É que já não se trata da morte do corpo com o corpo presente, exposto, que testemunha seu destino, mas trata-se de um corpo ausente, negado, que obriga os outros a consumirem-se em perguntas. Acontece que recebo livros – mesmo de autores mais recentes – onde encontro passagens que parecem ter sido escritas por mim, ou por poetas de minha geração, e não se trata apenas de influências – que podem existir, que existem –, mas sim de uma história ainda não solucionada que segue desatando seus mesmos fantasmas, obrigando às mesmas perguntas, mesmo que esses poetas não tenham vivido aqueles dias. Não me estendo em características que os críticos vêem melhor do que eu; falo do que sinto ao ler nossa poesia das três últimas décadas: obscuridade, falta de ar, o corpo fragmentado, a solidão. Acaso esses elementos não sejam distintos do resto do que hoje se escreve na América Hispânica. Como em tudo, o tempo terá a última palavra.
2. Quais contribuições essenciais existem na poesia que se faz em teu país e que deveriam ter repercussão e reconhecimento internacionais?– Há poetas que alcançaram plena ou parcial difusão no exterior: Jorge Luis Borges, Leopoldo Marechal, Roberto Juarroz, Juan Gelman, Alejandra Pizarnik, menciono apenas uns poucos, e outros que não o foram em absoluto. Há múltiplos motivos para isto, de toda ordem. Há livros que, me parece, teriam que ser lidos além de nossas fronteiras, como Hospital Británico, de Héctor Viel Temperley, ou Ova completa, de Susana Thénon. O surgimento da Internet pode contribuir para esse conhecimento. de fato, já se percebe sinais disto.
3. O que impede a existência de relações mais estreitas entre os diversos países que conformam a América Hispânica?– Amiúde se diz que estes não são bons tempos para a poesia. então me indago: houve alguma vez tempos propícios para a poesia? E mais: o que significa bom, propício? Acaso se está falando de problemas reais, tais como os citados anteriormente, acerca de edição, circulação, difusão. Um poeta, se fiel a seu pensamento, se oposto à domesticação, ao adocicamento, sempre é perigoso, para ele não há nem lugares nem tempos propícios. Sempre estará só, ou próximo de uns poucos, em sua tarefa. Necessita tão-somente de papel e lápis. E sempre há caminhos, quase sempre imprevisíveis, para que sua obra chegue, cedo ou tarde, aos demais. O que necessitamos, sim, é derrubar os tabiques entre uns e outros, que o poder levanta porque o poder sempre tem medo, utilizar todas as vias, todas as possibilidades de comunicação. Perguntar: quem está do outro lado do muro?, como na obra de Pink Floyd. Esta página idealizada no Brasil, como tantas outras no continente, contribui plenamente para essa tarefa que, creio, é imprescindível.
Floriano Martins: PRÓLOGO DE RADIACIÓN DE FONDO DE CARLOS BARBARITO

O RELÂMPAGO DA SOMBRA
O poeta Carlos Barbarito assim inicia seu livro La orilla desierta (2003): “Esta es mi vida, parece decir la hoja / que cae desde la rama / o la piedra que rueda por la ladera”. E há aqui um deslocamento estratégico que faz com que o poema salte de uma esfera a outra. Não é o poeta quem diz: “Esta es mi vida”, como se poderia pensar em um primeiro momento, mas sim a natureza, que aqui nos fala através da folha e da pedra. Contudo, ao mesmo tempo sabemos que é o poeta quem lhes empresta a voz. Transmuda-se então em pedra e folha para nos aproximar da intimidade existencial da natureza. Não à toa e quase ao final, encontramos neste mesmo livro a indagação: “¿Quién vive? ¿Quién / es visible, tras sábanas, / trasiegos? ¿Qué / alcanza brote, pulpa?” – para mim, este deveria ser o poema final do livro, pois me parece vital que as coisas se encerrem sempre com uma cortante indagação.De alguma maneira, La orilla desierta é um livro que nos prepara – ou mais essencialmente prepara a seu autor – para a entrada em Radiación de fondo (2005), considerando que ali temos quase que um inventário da desnudez, em todos os sentidos. É como se agora percebêssemos o que cada um fez com sua visibilidade, algo que responda à pulsante indagação: “¿Hay algo afuera, / detrás de la última piedra / más allá de los altos tallos / que crecen sobre el horizonte?” E uma vez mais se confundem as vozes – sempre estrategicamente –, do poeta e da natureza. E há sempre um leitor apressado que insiste: a chave, qual a chave dessa poética?Carlos Barbarito está possuído pelo fascinante dom de não entregar ao leitor senão pistas; jamais a chave. E uma das pistas intrigantes de sua poética está na palavra nudez e seus correlatos, que se repete à beira da exaustão, de livro em livro, e que neste Radiación de fondo trafega como uma guia, uma espécie intrigante de iluminação acima de todo erro e toda cinza. Eis aí a presença marcante do inventário das coisas que desapareceram sem que tivessem sido devidamente despidas. Tanto no poeta quanto na natureza, o inventário das máscaras que não se revelaram ou então que se desfizeram “sin centro de razón o mistério”. Evidente que a presença deste nudus mantém sua sedutora ambigüidade: é tanto privação quanto revelação, tanto o que falta quanto o que se mostra. Inventariá-la significa provocar o leitor (“¿un gran guionista?”) – e também o próprio poeta – para que separe joio e trigo. E por vezes essa dualidade nos convence de sua eficácia. Habilmente o poeta faz com que a linguagem navegue entre vazio e plenitude, fluxo e refluxo, provocando um certo mal estar na constatação desse trânsito. É um jogo, claro. Não há dúvida de que a linguagem seja um jogo. Porém sua astúcia está em realizar-se sem ornatos, ou seja, também o ludíbrio está desnudo. E nisto radica a grande força deste livro.Ao conversar com o poeta, me disse gostar da “idea de la poesía como un modo de la radiación, una radiación siempre diversa, polisémica surgida desde el fondo de nosotros mismos”, e eis aí um terrível segredo que (nos) revela: a fonte da radiação, uma radiação de fundo, cósmica até o ponto em que é cósmica a existência humana, mas essencialmente um jorro – imprevisível? - atraído? – do que há de mais negro no homem, e em sua relação com a natureza. Não basta dizer isto, no entanto, para que o livro se abra como um testamento diante de seu favorecido. A poética de Carlos Barbarito vem habilmente provocando uma inquietude entre a coisa e seu desmoronamento, entre o que imaginamos ser e o que de um momento para outro se desfaz. Como ele próprio sugere em um poema de La luz y alguna cosa (1998), somos ao mesmo tempo uma coisa e outra, ou várias e inclusive as que não conseguimos nomear.E temos ainda essa paixão declarada da poesia pela ciência, como recorda o poeta (“mi fascinación por la astrofísica”), onde o abismo não é tão grande quanto parece, ou seja, a radiação cósmica de fundo está intimamente ligada à paralaxe, que, por sua vez bem poderia ser uma figura de linguagem, um deslocamento de retina, uma variação, sim, uma variação. Mas o que fazemos com as distintas – entre infinitas e inconciliáveis – maneiras de ver o mundo? Não pode haver correção de ângulo, uma vez que não se pode dar por certo o que não passa de confissão ou apreensão. De volta ao princípio: “Esta es mi vida, parece decir la hoja / que cae desde la rama / o la piedra que rueda por la ladera”. Ao buscar um desnudamento intenso, a poesia de Carlos Barbarito descobre que são infinitas as camadas de nudez que se disfarçam de vestes, e que tal aventura é tão inesgotável quanto a própria vida.Esta descoberta de um aspecto envolto em mil aspectos é algo que poderia ter alcançado outro corpo, se acaso arte e ciência não tivessem sofrido, em certo momento, de uma vaidade galopante, deixando o homem completamente sem vestes. Radiación de fondo, sob certo aspecto, expõe esta nudez – e cabe mencionar a referência a Pascal na epígrafe com que abre o livro -, inquirindo sobre suas razões e o que fazer ante uma vida sem artifícios. E como se oscilasse entre a negligência e a transgressão, o homem – também o poeta? – também o leitor? – não sabe mais a que imputar sua culpa. E quanto mais se despe, não encontra senão culpa, imprudência, crime, hesitação, prejuízo, seu inventário incontornável. A razão nos enche de culpa? Não nos alimentamos de outra coisa, senão de culpa? Será esta nossa radiação de fundo?
Héctor Ranea: Acerca de La luz y alguna cosa de Carlos Barbarito


Sobre la obstinación de los sobres

Cada diez años, más o menos, nos encontramos con Carlos. Hace años fue en el Teatro San Martín, cuando él podía ir al centro y yo a Buenos Aires. Ahora los encuentros son más o menos frecuentes, pero por Internet. Lo descabellado es que siempre son a través de episódicas visiones alucinadas. Por ejemplo, esta vez, leyendo una revista de Ciencia de Materiales, de la que sólo por casualidad llegó a mis manos un número, me encuentro con un artículo suyo sobre conversaciones con Roberto Aizenberg - cuando la ocupación de Barbarito, vista desde la ortodoxia, lo excluiría de la posible lista de colaboradores habituales de tal publicación-. (1)Al fin, estamos acostumbrados, Carlos y yo, a esos encuentros. Y ahora me llegó su libro de 1998, regalado, como siempre. Lo envió dos veces, porque es cosa sabida que el Correo en nuestro país es exigente y necesita de confirmaciones del deseo de que un libro de poesía sea leído. No viaja en ese sobre un material desierto ni prolijas palabras, sino un peligroso acento de pensamientos y pasiones que el Correo teme distribuir sin consentimiento de partes tan disímiles como el lector, el autor, los constructores de avenidas, los taladores de árboles y un heladero que pasa todos los días de verano frente a mi casa... En fin.Era un sábado de primavera -y aunque el sobre se negó a dejar el libro y hube de luchar largamente contra su tenaz defensa del precioso objeto custodiado- pude, finalmente, ccomenzar a leerlo. Recuerdo que puse un disco con música de Chico Buarque, pero los poemas de ambos se me entremezclaban y se interferían, de modo que silencié en mi fuero íntimo a Buarque y pude lanzarme a La luz y alguna cosa... Demás está decir -Carlos puede confirmar esto, si alguien lo encuentra- que al ser mi especialidad y obsesión la luz (2), y al ser Klee uno de mis pintores modernos favoritos (vengo de pasearme una exposición suya) me siento en mi sillón a escuchar la voz de Carlos sobre un tema que me resulta a la vez familiar y laberíntico.Entonces, como es mi costumbre (y me avergüenza reconocerlo) comienzo el libro por el primer poema y continúo ricercando sin seguir las pistas dadas en el texto; hago una lectura oblicúa, desordenada y pasmada de tanta lúcida belleza y a la vez de tanta lúcida lectura de lo ominoso. Es así que el primer poema todavía me resuena en el corredor de los ecos de la memoria reciete, cuando me fascina pero a la vez me oprime la garganta como si de mí quisiera escapar ese grito que con puro (digo puro y ahí se debería entender qué significa la palabra puro) dolor que se detiene en esas formas extrañas que adoptan a veces los poemas. En este caso de Carlos. El poema es breve, lo tengo frente a mí en las páginas pares y lo abandono . Entonces se me estanca el propio poema en las aguas de la primera palabra. Mientras pienso en él, busco en el libro. Esta búsqueda es más minuciosa. Intento leer todas las palabras y no sólo en las páginas pares. Comienzo por el primer poema y vuelvo a quedar aprisionado en esa carne vitrificada que lastima a un niño. Me vuelvo halcón peregrino y vuelo al mar, a las barrancas en las que jugaba cuando niño y salto de allí a las desoladas muertes y me desconsuelo como las cosas que no debe un niño... Y es, debo decirlo, como un seco golpe en la espalda. Retomo la senda por la última parte: el núcleo de la luz, de donde nacen las estrellas, las eternas, las mutables, las oscuras. Porque hay estrellas que sorben y en ese fenómeno dejan sin luz a los escenarios, coorompen los frutos de los Caravaggio que no presentan más que copias del maestro. No es grave, sólo que no todos queremos llegar y eso duele. El clavo en la boca me hace navegar por otros tifones, por los vendavales de Biagioni (3), los locos caballos allá en el Sur... Pero ese poema....el del niño: no está.Voy a la primera parte, ya preocupado. Leo otra vez el primer poema y vuelvo a sentir que el niño ve la mano y grita al tocar el canto de vidrio de esa sangre y carne despedazada... ¿Será este el poema? No. Recuerdo muy bien lo del hombre con asma, me digo racionalmente. Ahora bien, surge el geómetra desde adentro de mí, es posible -dado el extremo probabilístico que une a Carlos y a vos (o sea, yo)-, no sería raro que -dadas tus memorias, tus eventos íntimos, tu juventud y tu niñez-, ese poema haya surgido dentro de vos para continuar la ominosa sensación que deja el primero y poder relajar esa tensión inmensa del segundo. Pero yo insisto en buscar el poema del niño aterrorizado. Es que me recuerda cada vez más a Mahler y lo que en mí evoca a Mahler es señal de que me hace sintonizar con una naturaleza recóndita y a la vez familiar. El niño dolorido, lastimado, muerto. La sangre convertida en arena, vidrio molido, sales.Tal vez, digo hacia dentro, el sobre no ha dejado salir esta hoja más que por error y la ha vuelto a engullir. Es que, me estremezco, un episodio como ése no se le puede confiar a cualquier lector y el sobre tal vez lo sabe y no permite que encuentre el poema nuevamente. Ya una vez se quedó con todo el libro. Ahora sólo ha logrado quedarse con un poema.Entonces busco el sobre. Está ahí tirado, hecho jirones. La hoja del libro no está adentro, como un primer examen lo sugiere, pero no puedo estar seguro porque el sobre no está completo. restan algunos pedazos faltantes que me encargo de reconstruir, por dentro por fuera. Luego de que he hecho eso, compruebo que el sobre no esconde esa hoja. Vuelvo al libro; el poema -me digo con convicción deportiva- debe estar adentro, no ha tenido otra oportunidad de escaparse...Me disperso en los mares de la segunda parte. Tampoco puedo hallar al niño y comienzo yo mismo a armar ese poema con mi frágil memoria. Construyo primero una crepitante fogata, luego decido que no, que era un fuego menos confortable, tal vez de otra era, cuando los niños éramos unos invitados ocasionales a cuentos de... pero es difícil nombrarlo, no existen aún las palabras...¿será esto lo que me oculta el poema? ¿lo que no me lo deja ver? Al no tener palabras, me quedo sin la luz y las otras cosas, me quedo en las penumbras del conocimiento en ciernes, me dejo llevar y entonces pierdo mi dirección. Tal vez sí. Tal vez sea eso y me desespere sólo por una hoja que seguramente volverá, como vuelve la memoria a Proust. Reconstruyo en parte el poema con la memoria de haberle hecho una lectura subjetiva; rescato palabras, las voces aludidas, la ciénaga del espanto que se fosforece en la mirada anterior; pero el poema (que ya saboreo como propio aunque expropiado) no puede surgir. Es como un manantial con profundas raíces en la misma roca, que se vierte en una demenuzada boca que no puede circunscribirse.De pronto está allí. El poema ha retornado al libro y yo al sofá y la música a la complicidad. Conjeturo pues, tratándose de Carlos, que es capaz que ambos recordamos tantas cosas comunes que tal vez sea eso lo que nos atrajo de Aizenberg, o del Teatro San Martín, o de Internet. Sabemos que allí están, en la intrincada red de recuerdos: los amigos, los poetas, las infancias desemparadas retratadas en un desesperado instante. Desde entonces, cada vez que cierro ese libro de Carlos Barbarito, verifico que el poema esté allí, que no se me haya escapado otra vez y me desenvuelva esos paquetes de recuerdo que tiemblan de miedo en las cajas de mudanzas, los cofres de los capitanes pintados, las artimañas que tienen los futuros posibles para interferir a los pasados ominosos y relampaguear con furia de flores iracundas en esa especie de paz que parece ser el presente.



(1) En la Revista Materiales, por entonces, se publicó un adelanto del libro Roberto Aizenberg. Diálogos con Carlos Barbarito.
(2) El autor de este texto es óptico cuántico.
(3) Amelia Biagoni, poeta argentina.
Marta Medrano: Sobre Teatro de lirios de Carlos Barbarito
Poesía sin anécdota de un joven autor. Hay una búsqueda y una indagación interior. La angustia alterna con la vital respuesta al llamado del amor. Toma de conciencia. Poesía asumida como una actitud ante la vida. Lírica a todo pulmón. Metafísica y silencio. Barbarito habla, secretamente, con los dioses y los demonios.

Joaquín María Aguirre: Sobre La luz y alguna cosa de Carlos Barbarito

Si la novela pone en tensión el lenguaje confrontandolo con el mundo, la poesía lo pone en tensión con la esencia de lo humano. Triste destino el de la poesía, clamando inútilmente en un mundo cacofónico y sin brillo. Hacer —sí, hacer— poesía hoy es sumirse en la desesperación del silencio social. Cuando la poesía llega, llega de puntillas, avergonzada en un mundo de luces de neón y de fanfarrias publicitarias. Lejos del escándalo de los hechos —propio de la novela—, la poesía se ocupa del escándalo del ser e, íntimamente ligado a él, del escándalo del lenguaje que da fe del desgarro. Porque no hay mayor escándalo que el del existir, y más todavía, que el escándalo del existir consciente, que es del que da cuenta la poesía. Así, de puntillas, llega la obra de un gran poeta o la gran obra de un poeta, que en el escenario del lenguaje tanto montan. De Argentina nos llega un regalo encuadernado, un lujo para aquellos capaces de conmoverse ante la palabra. La luz y alguna cosa es verdadera poesía. Como decía Walt Whitman de su obra, quien la toca, toca un hombre, toca carne. El libro está dividido en tres partes: La luz y alguna cosa (25 poemas), Dispersos (9 poemas) y Bosques del día y de la noche (17 poemas). Lejos de ser una poesía de respuestas, los poemas de Carlos Barbarito son preguntas lanzadas desde el ser agónico que es el hombre. Carente de soluciones, el hombre se enfrenta al infinito dolor del preguntar y del preguntarse. Resaltan en el conjunto de los poemas, pero especialmente en su primera parte, dos aspectos. El primero de ellos es el juego del distanciamiento que realiza con la oposición de términos de proximidad y lejanía, de un aquí y de un allí, de un dentro y un afuera, de un espacio en el que se está frente a otro que se ha abandonado o del que se ha sido expulsado. En este apartado cobra especial importancia la forma de percibir la infancia —el "niño" que aparece como elemento recurrente en muchos de los poemas—, que aparece también como un "espacio" distante, como un espacio perdido. La infancia no aparece tanto como un momento del devenir del hombre, no tanto como una etapa, sino casi como otra dimensión del ser, como un estado de diferencia esencial. Si no hemos interpretado mal, esta dimensión se extiende, incluso, hasta el interior del vientre materno ("la bolsa cálida donde estuve alojado", p. 24), antesala del mundo irracional y lleno de dolor al que es arrojado el ser humano ("Salido recien/ de una boca de misterio, dentro/ de la que oyó, voz, aullido,/ y desde la que preguntó,/ en otra lengua, sin encontrar respuesta:/ ¿qué es este presentimiento/ de agujas, de ojos, de éteres?). Expulsado, arrojado al mundo, el hombre se mueve en un mundo en ruinas que le lleva a añorar el regreso, incluso la inversión de la historia, "el destino en su reverso" (p. 24), como escribe el propio poeta. El otro elemento destacado de la poesía de Carlos Barbarito es su capacidad de generar espacios básicos, primordiales. La diversidad es reconducida a los elementos principio de todo: fuego, aire, agua. Sirva de ejemplo el siguiente poema: Del cuerpo queda poca cosa,algún eco, una huella casi borrada,una sombra, ni siquiera la más definida,nada en él entero y llenopara obtener cierta gracia del fuego,una mínima absolución del aire,un remedo de salvaciónsoplado desde la bocas del agua.(p. 25) O este otro: . Aúnel viento no tiene lengua,el fuego no tiene casa,el agua no encuentra fuente,ni vaso. Aúntodo está roto y disperso,roto y disperso.(p. 32) La tierra, la carne, el barro de la vida, entendemos que es la del propio ser humano, la del sujeto poético, auténtico escenario del conflicto, que adquiere, ante la economía de recursos, dimensiones de conflicto eterno, llevado hasta lo mítico. No es fácil generar un universo poético propio, menos todavía lograrlo con el esquematismo primordial que Carlos Barbarito utiliza. Pero ese reduccionismo, esa economía del trazo, esa ausencia de retórica en beneficio de la línea desgarrada da a su poesía una gran fuerza expresiva, un carácter inmediato que agarra al lector en su desnudez. En un tiempo en el que la poesía se vuelve sobre sí misma para convertirse en "metapoesía", sorprende esa ausencia de la poesía como tema. Solo uno de los poemas —¿para qué más, para qué caer en el narcisimo romántico?— se centra en la figura del poeta como tal. En el poema, muy bello poema, la figura del escritor se despersonaliza hasta perderse en una tormenta de imágenes de la negrura, en los giros poéticos de lo indecible: (Nathalie Sarraute) Cuando escribe, dice,no sabe si es hombre, mujer,o serpiente. Olo que es lo mismo, digo,ella y todos quienes escribimossomos ninguna y todas esas cosasal mismo tiem .Y aun otras,las que la razón, o la locura,es capaz de nombrar: anguilaen el agua oscura, pedazo de carbón,colina en lento desmoronamiento,amuleto en el pecho del condenado...Y también esa paleta o ese remoque golpea el agua hasta volverla espuma,esa misma espuma que persiste en el aguao en el agua se diluye.(p. 61) Hemos renunciado deliberadamente al juego de la filiaciones. La poesía del autor es lo suficientemente personal como para navegar por el mar de la poesía de forma auténtica, con rumbo propio. Antirretórica, depudarada, directa, en última instancia, humana, esta poesía nos remite a la verdadera cualidad de la poesía, a aquella alquimia del verbo: la capacidad de trocar el barro, la miseria humana, la fragilidad humana ("¿Qué,/ me pregunto, de mí no es frágil,/ no resulta quebradizo,/ partible, rompible?" p. 73) en el oro del lenguaje. Pero no nos da la impresión de que exista una redención por el lenguaje en la poesía del autor. La poesía ya no es llama prometéica, ya no es el bálsamo de las heridas. Grito desgarrado más bien, testimonio de una derrota (¿Cómo nacer/ si todo empuja a morir?, p. 45). Sirva como ejemplo de ese carácter existencial, de ese ser arrojado ¿al absurdo, a la nada, a la paradoja?, este poema cercano ya al fin de la obra: Todos cavamos con las manoshacia donde viene un llanto.. .Hoynada sabemos del mar,de las olas, de la luz de los barcos lejanos,nada sabemos del cielo,de las nubes y las bandadas,de las babas del diablo llevadas por el viento.Solo sabemos cavar.Del resto .(las uñas rotas,los dedos ensangrentados,las respiraciones entrecortadas,urgidos y angustiados monosílabos)del resto hoy nada sabemos,nada.(p. 69) Una obra que da la dimensión de un poeta, La luz y alguna cosa es una isla poética en un mar de calmas aburridas. En panorama de sequía creadora es siempre una alegría encontrarse con páginas que nos llevan a recovecos perdidos del alma humana, que nos llevan al reencuentro con nuestra dimensión profunda.
Santiago Sylvester: Sobre El peso de los días de Carlos Barbarito


Por qué se sigue escribiendo poesía cuando todo desconvoca a hacerlo, es una pregunta que no tiene una respuesta fácil. La poesía no está de moda, no da éxito ni se puede ir con ella al mercado; y el prestigio que arrima tiene una entidad tan abstracta que es difícil ubicarlo en el código social vigente. Supongo que esta obstinación tiene que ver con la simple tozudez, o con la resistencia o, incluso, con una respuesta política al deber ser avasallante que propone la sociedad de consumo y el atesoramiento. Escribir poesía tal vez suponga, hoy por hoy, decir no donde todo propende a decir sí, apuntarse a algún tipo de disidencia, de acuerdo al orgulloso aforismo de Guillermo Boido:la poesía no se vendeporquela poesía no se vende.Alguna vez alguien se ha tomado de clasificar las razones de porqué se escribe poesía, y ha logrado una larga (y más bien ovbia) lista de las pasiones humanas: razones religiosas, amorosas, políticas, celebratorias, heroicas, psicológicas, históricas, luctuosas y, en fin, la vasta posibilidad de esos movimientos anímicos que terminan convirtiéndose en palabras.De todas las razones posibles, hay dos que me gusta encontrar en un poema: que subyazga una cierta incomodidad; es decir, que el poeta se ponga frente al papel para calmar alguna angustia (o lo contrario: para volverla incontenible y darle de este modo juego creativo); y que suponga un placer por las palabras: usarlas, revisarlas, hurguetearlas y sacarles todo el jugo, ya fuera de la pasividad del diccionario; es decir, que se note la carga afectiva del poeta al ordenar el caos, o al desordenarlo más aún, pero a favor, con la vieja herramienta del lenguaje. Sin la primera de las razones, el poema suele carecer de necesidad; y sin la segunda, el poeta está sencillamente perdiendo el tiempo en este oficio.Chesterton dijo, al parecer, que el lenguaje es una creación de cazadores y guerreros. Esta cita no la he sacado, en realidad, de Chesterton, sino de una charla con Rodolfo Rabanal, así que cualquier error tendría que atribuirlo a la dispersión de un paseo matutino bajo el sol de Madrid con este amigo. No sé, por lo tanto, si la cita es exacta, pero la idea tiene fuerza. Significa, metafóricamente, que el lenguaje (y yo diría que prioritariamente el poético) es producto de gente inquieta, gente desordenada y movediza que sale a buscar su presa, gente que, a salvo de mata, vive al asecho en una vida a la intemperie. Esto es reflejo de la incomodidad que reclamo para el poema, tal vez porque (y aquí confieso que la autocita es un viejo vicio de los poetas) sólo se suelta de la tabla quien debe buscar el pedazo que le falta. Incomodidad de cualquier signo, incluso tranquila, acogedora y con gran confianza en el porvenir, pero que esté.En cuanto al amor por las palabras, resulta de tal evidencia que casi no valdría la pena agregar más. Bastaría con repetir la opinión de Huidobro, para quien decir que un escritor maneja bien las palabras es como asombrarse de que un aviador sepa mantener el avión en el aire. Lo que ocurre, sin embargo, y con demasiada frecuencia, es que ese amor por las palabras no resulta tan visible: como prueba se podría mostrar una docena de botones. Y a mí me gusta que, aún en el desaliño más estudiado, aún en la torpeza concebida como método, se note la relación emocional entre el poeta y su herramienta. Puedo entender (y lo entiendo íntimamente) que un poema no sea perfecto porque el poeta no ha conseguido la perfección, porque se ha quedado sin pólvora o porque no la ha ayudado la perfección; pero nunca por abandono o por abulia: en este caso habría que incluirlo en el código penal como al aviador incompetente.Aquellas dos razones que he mencionado están, afortunadamente, en este libro de Carlos Barbarito. Y hay que agradecerle que lo haga con un lenguaje adaptado al objeto que nombra (palabra trabajada, por lo tanto): un lenguaje algo crispado, como los asuntos de su cantera, con el que propone poemas que giran sobre varios ejes, ya que toda lengua es extraña (cita libre dun poema de otro libro, aún inédito, de Carlos Barbarito). Lengua extraña o, lo que es igual, lengua que hay que inventar en cada poema para que exprese, casi a traición, y aún a su pesar, lo que el poeta no sabe que quiere decir.
Javier Petit de Meurville: Sobre Exodos y trenes de Carlos Barbarito
El ruido de la feria
Hay una confianza elemental en el lenguaje, un decir: lo que digo es, lo que es puedo decirlo. Esta confianza -que genera los clásicos- excluye los momentos de promiscuidad especular en los que el lenguaje se revuelve sobre sí mismo, devorándose la cola. Sus ojos de serpiente.Carlos Barbarito tiene la gracia (¿el don?) de la fe en el lenguaje. En esa fe las vivencias que lo hieren o seducen se transforman a la música mansa del idioma.Exodos y trenes contiene veinte instantes inexplicables que luego se convierten en desvelo, palabra justa y ajustada y finalmente acceden a poema. Es esta fe o este lento ejercicio lo que ha premiado el Fondo Nacional de las Artes al costear la presente edición. Para el autor, Exodos y trenes señala una retrospectiva entre dos fechas: 1976-1985.Nos dice a César Vallejo: me alejaré de tu sombra gigantescacomo el hijo ya crecido se aleja de la sombra de su padreSiento que puedo sostenerme sobre mis piernascortar mi propia madera del árbol de la palabra, y la imagen enseña la instrumentalidad del lenguaje.En la distribución y recolección (hablando de usos) subyace un eco del Borges preferido. Otros ecos son reconocidos expresamente: Pound, Byron, Raúl Gustavo Aguirre. También la amistad de José Kozer y la comprensiva visión de Alberto Luis Ponzo para la introducción que enmarca la lectura del libro dentro del espacio de la pasión. Porque, ¿para qué escribir?para que cuando llegue la más terrible de las horas y en mí todo sea cernido y disueltoante los ojos de mis ojos permanezca intacta la belleza.La confianza en el lenguaje, su prolijo y debido uso instrumental, infrecuente en las nuevas generaciones de este lado del río, nos aleja al autor de otras marcas generacionales como las que aparecen en sus retratos: Es tan terrible sentirse una especie de diosy, al mismo tiempo, un huérfano sin pan ni vino sobre la mesa.Y, por momentos, el extrañamiento puede hacerle decir del decir: Metáforas, filosofías, pitagóricas ecuaciones y no poder ni siquiera resolver el alba.Fatigados por el griterío, las mutilaciones o la violencia de los dogmas, resulta grata la palabra que se desliza con precisión de felino: la imagen exacta, una tranquila apariencia de comunicación sin filtros. Resulta grato, pero en esa comodidad puede parecernos que el texto murmura, sin resolverse entre los ecos y la voz definitiva.Esta duda, este parecer o padecer del lector es territorio de la subjetividad. Intransferible. Doxa. (¿Hay algo que no lo sea?).Carlos Barbarito es un poeta joven a la manera en que son jóvenes los poetas y los escritores en Argentina: hay que pasar la barrera de los treinta para nacer (literariamente). Ha merecido premios y reconocimientos diversos por parte de la periferia, del ruido de la feria: de la institución literatura. Su voz definitiva de alguna manera ya es y aguarda.
Antonio Aliberti: Sobre Páginas del poeta flaco de Carlos Barbarito
Carlos Barbarito, un joven poeta que con talento, con rigor e insistencia ha escrito en los últimos dos años poemas de muchísimo valor. Participa con diez poemas, todos ellos irreprochables como creación poética, conservando un tono entre surrealista y el acento carnal de un Vallejo. Sin embargo, hay un poema que seguramente llamará la atención de muchos lectores: Carta de Jean-Arthur Rimbaud a su hermana Isabelle desde Harar, Africa. Un poema que comienza como una simple carta a la que le requieren diversos elementos, y que culmina de manera estremecedora: sálvame, hermana mía/ libérame de este mar horrible/donde desde hace noches/ floto/los ojos abiertos/boca arriba.
Lauro Diéguez (1): Sobre Exodos y trenes de Carlos Barbarito
Con un prólogo de breve extensión firmado por Alberto Luis Ponzo se abre Exodos y trenes, libro de poesía de Carlos Barbarito, nacido en 1955 en la ciudad de Pergamino. La obra obtuvo un premio del Fondo Nacional de las Artes y, por el mismo, una subvención que hizo posible publicitarlo.Son veinte poemas de rara y pareja calidad, sin caídas ni desmesuras. El tono de Barbarito podría ubicarse entre una poesía de corte maldito y el paradigma poético que tuvo en César Vallejo su máximo exponente.Sin embargo, son varias las voces que transitan por Exodos y trenes: Rimbaud, Artaud, Lautreamont, Vallejo, y aunque parezca extraño, por la diferente extracción, Eugenio Montale. Si bien es natural que un poeta joven sienta la atracción de las voces mayores de la poesía universal, un tan aplio abanico de influencias puede ser peligroso. Pero es es algo que le atañe sólo a Carlos Barbarito, que en el último poema del libro se despide empíricamente de su consciente dependencia vallejiana.Influencias al margen, Exodos y trenes revela a un poeta con un bagaje más que interesante, que vuelca en su creación conocimientos literarios y experiencias de índole cultural. Con todo, es en los poemas más personales donde Barbarito logra los momentos más viscerales: los tres retratos (en realidad son cuatro, pero el primero entra en la acepción literaria ya mencionada), el poema Interior y Caerá el hueso (de fuerte influencia vallejiana) y el estremecedor Es tan terrible llamarse Carlos.Exodos y trenes debe, por todo eso, ser saludado con un largo aliento, a la luz de un poeta de grandes aptitudes.
(1) Seudónimo de Antonio Aliberti.

Daniel Mastroberardino. Pez de la tierra o el infierno en este mundo. Sobre Teatro de lirios de Carlos Barbarito.

En una edad remota, para que las runas (caracteres de la antigua escritura escandinava) acrecentaran su poder mágico, los primitivos hombres de la tierra los teñían con sangre. Del mismo modo, y para los mismos fines, Carlos Barbarito tiñe cada palabra con su propia sangre, y aquel poder mágico entra en el mundo de una especie poesía en donde el aire más denso, el cielo casi improbable en la tierra embriagada de golpes y sistemas, y ácidos y caminos, y las moradas que cobijan al poeta sólo son grietas por donde se filtran un hombre hablándole a su propia sombra./ Un lagarto en mitad del sueño de un niño./ Un papel donde alguien escribió "Hoy desperté y no me encontré el corazón"./ Otro hombre con las manos en el rostro, sentado en un retrete./ Una mujer con cuerpo de avispa, con ojos de avispa./ El vacío, la oscuridad, la nada./ El segundo antes de la ejecución, del suicidio./ La orfandad, la miseria, las sirenas en plena noche. Este es sin duda el infierno que está en este mundo y en el corazón de Carlos Barbarito, herido desde muy temprano, al alba de su desnudez, por ese infierno.De carne a carne, de espíritu en espíritu, de silencio a silencio las palabras acentúan su temblor de cosa viva y verdadera, esa música intensa, humana y mágica que liberan angustias y límites en los huesos de cada poema. Teatro de lirios es un ojo abriéndose y multiplicándose entre abismos, una lámpara terrible desnudando la niebla de los que duermen en mortaja de muerte cotidiana, de los que no han muerto todavía pero se repiten, vacíos, en rueda de miseria dentro de rueda. Orfandad y silencio, de los que no queda sino silencio./ Oscuridad sin límites./ Huesos desnudos,/ expuestos al ojo del coleóptero, /al insaciable apetito de la vida, de los que tras un día de haber entregado horas de su vida, horas que no van a volver a vivirse y que quedarán sin uso ya, inútiles, entre las paredes de una oficina, entre los oficios y papeles de un juzgado, entre las máquinas de calcular de un banco, entre ladrillos de una casa en construcción que no es la propia para retornar al entierro de los sueños huecos de paz, de las embarcaciones que deben abandonarse a cada respiración profunda, indefenso entre negocios atroces y días inalterables, vencido de cansancios y de lucha, dividido por una soledad extraña e innnombrable: De ellos no queda sino pena en los vivos./En los que pasan,/ y claman,/y tiemblan cada vez que el viendo dice "mañana".En este libro uno puede percibir la intuición que ha guiado los pasos secretos que el poeta ha dado en esos corredores oscuros y golpeados de tiempo y ritos diarios (que no por vulgares dejan de ser un asombro) de su destino. En efecto, no es lo que está afuera, sino lo que está adentro, en el ser del poeta que duda de lo que estando fuera entra a su ser y se transforma en monstruo o espectro, en huella absurda de lo conocido, en misterio que hincha la experiencia como si se dispusieran sombras en exceso bajo nuestros pies, y un pájaro que pasara por dentro de nuestro corazón graznando sólo un grito sagrado, o solamente quizás una presencia muy singular entre el cuerpo y el alma pero eficazmente instalada en los huesos: entre el ser y el no ser pero perpetuamente instalada en la posibilidad de ser: entre el cielo y la tierra pero terriblemente instalada en el hombre. Poeta: "lo más secretamente temido/sucede siempre".Fiel a sí mismo -condición sine qua non de todo creador auténtico- el poeta nos deja oír sus voces y adagios, y permite resonancias múltiples: la de los bellos poetas, padres de nuestros paisajes literarios, la de un lenguaje oculto que aguarda la vigilia de la poesía, la de cierta íntima sabiduría -ajena a toda vanidad y ostentación- con que el poeta destilará -con dolor y alegría- esas criaturas terrestres que se cargan de ciertas manchan de polvo o fósforo, cierto harapo de riguroso lunes, cierta hebra de morfina necesaria.Los profanos que lean este libro y lo comprendan no dejarán de experimentar un dulce deseo de ser poetas; pero sin duda de inmediato medirán las consecuencias de un deseo quizá impropio. Pues ¿qué en ellos de ser poeta? ,¿y cómo puede mejorar nuestras pobres vidas si significa sufrir, si significa abandonar cierto "confort" que creemos poseer para bien - y sólo para bien- de nuestro cuerpo y de nuestro espíritu, si significa clausurar las puertas del templo de nuestros sistemas y principios que imaginábamos verdaderos? Porque, ciertamente, cuando se oye la voz profunda y medular de poeta como Barbarito, estallan igual que corchos podridos nuestras falsas creencias, y las aves abominables que picoteaban de continuo entran a nuestros ojos para que las reconozcamos y empecemos a luchar de verdad contra la Apariencia, reina de nuestra sociedad moderna (apariencial hasta lo absurdo). Ante esta poesía -manifestación de la conciencia impura de los hombres de hoy, de los hombres solos e hipócritamente agrupados- ya olemos a pútrido en nuestras únicas, elevadas e inefables verdades, en nuestros axiomas de mármol. ¿Y querríamos ser poetas por eso? ¿y aceptaremos por esto los poemas de Carlos? ¿Quién accede, por sacerdocio de la poesía, a la bancarrota de nuestras conveniencias e intereses? De inmediato nos damos cuenta por qué un poeta es siempre algo molesto, algo que nuestras conciencias burguesas no admiten sin escozor. Hasta nos parecerá deshonroso arrodillarnos -aunque más no sea simbólicamente- ante la poesía. Y si la miramos de frente, no lo haremos sino con pudor -un pudor barato y sacrílego-. habitualmente, las miradas que le dirigimos, van de soslayo o de espaldas hacia ella.Si el poeta no nos halaga, si no nos parece inofensivo, si no es como nosotros y si lo hace lo que a nosotros nos place, somos, en verdad, lo que "matarán a ese perro". Pagaremos Teatro de lirios lo que el libro vale: lo mediremos en valor constante y sonante, hoy por hoy, en australes (1). Si nos hace alguna llaga, si nos despierta una sed que va en contra de lo sólidamente establecido, en contra de nuestra moral y nuestras buenas costumbres, si nos levanta el párpado para que miremos lo que no queremos ver, habrá que destruirlo. Haremos nuestra la sentencia de la hermana de Gregorio Samsa (de La metamorfosis de Kafka): Es preciso que intentemos deshacernos de él. No es posible sufrir en la propia casa estos tormentos. Por cierto, la poesía provoca un conflicto permanente en la conciencia del mundo y de los hombres, no porque le falta realidad, sino porque la contiene en exceso. Pues, como dijera Eliot, la especie humana no soporta mucha realidad. Por eso a veces -como K.- la poesía muere como un perro, y el hombre que la manifiesta, muere también, y en sucesivas, inexorables y parciales muertes, como un perro. Los niños que ven morir a sus perros tienen un llano muy hondo, lloran desde adentro, es un llanto infinito. ¿Por qué es angustioso y por qué es tan triste que K. y la poesía y siempre los poetas, mueran como un perro?En efecto, ¿por qué Carlos sabe esto tan bien? ¿Qué ha visto y padecido, y cómo lo ha visto y padecido, y por qué es tan desoladora esa imagen de la muerte que se anuncia?Ah, ¿y por qué un perro; por qué no un águila, o una víbora, que es más de la tierra que del aire?Miseria de la poesía es una síntesis metafórica del libro -y aún de muchas realidades-pero fundamentalmente del poeta que siempre tiene hambre y nada desprecia y recoge aquello que los vientos de estos tiempos arrojan sobre su hambre. La poesía es el perro que le lame mansamente las costuras del alma. Las vivencias son los panes nutricios que se instalan en el subconsciente y que el poeta recibirá como revelaciones o sueños y que él, invariablemeente, devolverá al mundo como savia de poemas (le entran panes a sus sueños). Pero Carlos Barbarito lleva en su sangre -la misma que utiliza para acrecentar el poder mágico de su escritura poética- un mar desolado que, sin embargo, pese a todo -pese a tu corazón,/partido de soledad, dolor y rabia; pese a escribir Nos estamos muriendo y nada de Lázaros; pese a escribir más allá de lo visto/aquí sólo hay oscuridad; pese a que dices la amo y hasta lloras; y todo se irá perdiendo en la sombra; y que quince se viene con niños ciegos bajo las estrellas; y nada que pueda ser recordado,/ni una estrella en lo alto,/ ni piedra de filosofía ni melodía alguna en el viento; y pese a muchas otras realidades de igual cuño y calidad - entran peces a su sangre. En los cultos sirios, y en el principio del Cristianismo, el pez es el arquitecto de la Vida, es el símbolo de la Vida.
(1) Signo monetario de esa época.

Guillermo Eduardo Pilía: A propósito de Desnuda materia de Carlos Barbarito

Hace muchos años que vengo afirmando que Carlos Barbarito es uno de los mejores poetas de esa generación a la que muchos llaman “del 80” y que yo prefiero llamar “del 78”, por motivos que no es ahora el momento de consignar. No sé si mi juicio tendrá algún valor o autoridad, pero al menos resultará poco frecuente, por cuanto yo mismo pertenezco a esa generación; y lo que por hábito se estila es reconocer los méritos de poetas de mayor edad o bien de los más jóvenes, pero casi nunca de los que están corriendo nuestra misma carrera. Más allá de esta circunstancia, creo que Desnuda materia es un trabajo que bien se podría tomar como paradigma para fundamentar ese juicio en forma medianamente objetiva.Por lo pronto, la ambigüedad del título nos presenta una característica que es bastante fácil de hallar en la poesía de Carlos Barbarito. La “desnuda materia” es tanto la que nos conforma —y da sustento a nuestra precariedad existencial— como la “desnuda materia” de la poesía, la “desnuda palabra”, en el sentido de menesterosa e insuficiente, pero también de despojada de toda retórica, de todo artificio que pudiera falsear la visión más cruda de la realidad. La palabra está “a medio camino entre la nada / y el polvo”, cosa que se podría predicar también del hombre, y el poeta no sabe si ella será capaz de encarnar lo difuso, de taponar “el orificio que sangra”. La ambigüedad, ese preguntarse “quién o qué” continuamente, no es mero rasgo de estilo, sino consecuencia de una visión determinada de la realidad.La realidad —nos orienta el epígrafe de Fichte— no es el caos que nos rodea, sino la endeble arquitectura que el poeta crea para no naufragar entre “reseca inocencia, / costado a la deriva, margen, periferia”, entre las cortinas de niebla por las que tantea. Por eso “es amargo / el pan con que me alimento. / Y es turbia el agua que bebo. / Y la voz que oigo, o creo oír, / parece llegar del otro lado del mundo”. El poeta construye, pero “el oficio que ejerzo es apenas luz reflejada, / engaño”, es continua interrogación: “¿existe espacio de calma, onda en la superficie, / roca terrena o celeste, fruto de Edén, de Matisse / en este lienzo extendido al ojo de la lluvia?”; “¿soñar con una nevada donde nunca hubo nieve / con una lluvia donde siempre fue desierto?”. Y las respuestas no existen: “¿Pedir / una respuesta-estallido de bengala, / una hipótesis ingeniosa, / un polvo para el rostro que ya es casi sólo huesos?”.Hay posiblemente, en la génesis de la poesía de Barbarito, mucho de irracionalismo, de ebriedad dionisíaca. Más que el sentido lógico de cada poema hay que buscar un sentido emotivo en el conjunto, porque cada uno de sus libros se va edificando como mosaico, por acumulación de palabras e imágenes emocionalmente significativas. De ahí que el poeta se sienta en comunión espiritual y atemporal con El Bosco, que en su Jardín de las Delicias y su Infierno Musical quizás le brinda no una imagen distorsionada de la realidad, sino una imagen sospechosamente lúcida. Por eso es al pintor a quien le pregunta: “¿Hay camino, verdad, palabra, iris de luz, / bajo la pila de heno que a todo aplasta?”.La de Barbarito, decíamos, es poesía de interrogación, de ambigüedad, de irracionalismo. Pero a veces, en medio del friso, surge una figura sugestivamente corpórea, racional, histórica, aseveraciones que tienen el peso de una sentencia —la tierra está enferma de un mal grave,/ acaso incurable” —, profecías profanas —“Sufrirás, tendrás un mal,/extrañas mujeres traerán ungüentos/y culparán al amor,al relámpago”—; certezas de la irreductibilidad de la memoria:No importa el tiempo transcurrido,los dolores y los trabajos, lo vistoy lo presentido,lo amado y lo odiado,cada noche de tormenta regreso a aquella casa,soy de nuevo el niño con los ojos cerrados.Una lectura lenta, meditada, pero por sobre todo sentida de Desnuda materia quizás pueda explicar por qué Carlos Barbarito es, a mi juicio, uno de los mejores poetas de la “Generación del 78”. Quienes pertenecemos a esa generación llevamos en el muslo una llaga que no cierra, en el costado una herida que ya dejó de sangrar, pero que sigue mostrando su boca negra. Lejos de cualquier referencia anecdótica, de cualquier alusión directa, la poesía de Carlos Barbarito recrea —en el sentido etimológico de crear nuevamente— un mundo de angustia sin nombrar la angustia, de desolación y miseria que emanan no de lo concreto, sino de la exudación de las palabras: Huele a perro abandonado, a trapo en lo oscuro, respira aire que otros respiraron,se enferma de lluvia lenta,de ruidos lejanos, de ojos que acechan,huele a manojos de astillas,a desnudo que ya no pregunta,respira materia ciega, sin lugar en la Tabla,duerme de perfil, o sentado,con un ojo abierto y el otro ojovuelto hacia adentro, su dura lava inmóvil,se enferma de nada, de vacío.

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Marta Melero. Sobre Figuras de ojo y sombras de Carlos Barbarito

La mitología griega cuenta que Orfeo ejercía con su música una fascinación tan fuerte que hasta los ríos salían de su rumbo para seguirlo. Tu poemario ha fundado un norte del que resulta difícil distraer el alma. Tu "palabra que sale de un hueso" es una brújula que pronuncia el camino que ha hechizado el silencio en su huida. Para horadar el papel en tinta y proteger su pudor en esa magia que se respira en el dolor de lo bello. El abecedario envejece entre nosotros el mensaje con que la noche nos vuelve tan oscuros como ella para ensuciarnos de sombra y de misterio. Entorpecemos la sonoridad de las letras. Sobornamos sus grafías para que cicatricen la enorme herida del pensamiento. Para que nos alivien del mundo arrepintiendo la desesperación en el rostro del tiempo. En verdad con tus"figuras de ojo y sombras" pude fusilar la realidad y hacer nacer de lo ilusorio una mirada nueva que desconoce la lejanía. En este intercambio de fronteras emprendemos la seducción de lo imposible para regresarlo ni intacto ni diferente, solamente vencido por el poema. Espero que podamos descubrir las coordenadas donde nuestra correspondencia quiera combatir contra el alfarero de ausencias, que es en definitiva el único que puede oponerse a nuestras insurgencias.

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Marcia Spadaro. Sobre Piedra encerrada en piedra de Carlos Barbarito

En Carlos Barbarito la hipersignificancia de los signos por su recurrencia y circularidad, una labor de uso y desuso, estalla en nuevas cosmogonías que debe tentar armar el lector con los fragmentos de sus preguntas.Poeta de interrogaciones, muchas sin respuestas. Piedra encerrada en piedra parece palabra rodeando otra o la misma palabra. La piedra encerrada en la piedra es una muñeca rusa que nunca acaba en sí misma y hasta la más pequeña refiere a otra que la oculta.Este poemario es un visaje, un camino, por la sexualidad y la inocencia de los niños, que saben de un Dios que ha muerto. Nos deja a la intemperie de buscar un sentido en los leves movimientos de la cotidianidad. Una cotidianidad que se abre a la trascendencia desde el simbolismo que lo erige sin tocar su realidad siempre finita.

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Rodrigo Flores Sánchez. Sobre Amsterdam de Carlos Barbarito

He estado leyendo tus poemas y sólo puedo decir que me han tomado por sorpresa. Personalmente (¿De qué otra forma podría ser?) siento afinidad con tu escritura. El mundo y el poema ¿y la serpiente se muerde el rabo? ¿Es la palabra capaz de teñir la realidad? ¿La realidad mancha de gélida cal a El Poema, a los poemas? ¿O todo es simulación, una imperfecta y cruel simulación? ¿Alguien lo sabe?

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Oscar Portela. Carlos Barbarito, un poeta más allá de las modas

En sus estudios sobre poesía española del principios del siglo XX, Luis Cernuda, con certera intuición - aunque desde distintos puntos de vista estéticos no existan verdades absolutas-, dice que la influencia de Juan Ramon Jiménez sobre ciertos poetas del 27, había sido deletérea. En primer término había roto con la posibilidad lírica de la arquitectónica del poema - pondré un ejemplo, Gerard Manley Hopkins - y reducido el poema a un rayo no oriental sobre el lago sino sobre el espejo simulado del intelecto. De los poetas argentinos de su generación - anterior a la mía -, Carlos Barbarito no ha buscado modas, ni escuelas, ha escuchado primero los latidos profundos de su corazón, las percepciones del cuerpo y de la piel, las radiaciones de aquello que lo rodea, y luego, muy luego, ha cribado todo ello en el caldero de la inteligencia. No podría escribir entonces inteligencia, dame el nombre de las cosas, como Jiménez quería. Ha tenido cuidado de no caer en excesos sensualistas ni barrocos, ha templado el verbo y olvidado como quería Rilke, para luego hacer salir de la sangre, una imagen del mundo - una imago mundi- y contruir en poema como quería con claridad Unamuno: siente el pensamiento, piensa el sentimiento, sabiendo que el poema, en tanto misteriosa donación del lenguaje y no instrumento decomunicación, habla por sí mismo. También Eugenio Dors, lo entendía así. Ha pasado por alto las estéticas de vanguardia, los minimalismos al uso, y más lejos aun, el habla cotidiana, pero como afirmé antes, haciendo arder todos estos elementos , para que una sabia combustión dé como resultado la conexión entre la imagen proyectada por el discurso del pensamiento, la mirada sobre la escena del espectáculo, y luego el temblor que produce en el alma del poeta, el temblor en la piel que producen los clafrios el sentimiento. Todo ello quiere decir que Carlos Barbarito es un poeta que ha entrado desnudo a la imagen lustral, para salir vestido con el peplo de poemas que tienen algo que decir, que dicen aunque no estén dirigidos a nadie - como toda obra autentica-, para luego lanzar la flecha que hiere, siguiendo los dictados de Apolo. Existe sí lo que yo me atrevería a llamar una especie de concretismo cezzaniano de la imagen, atrevimientos linguísticos, hasta tentarse con la salvaje selva del barroco americano, pero todo ello son sólo aspectos de una síntesis que Carlos Barbarito disipa, con la claridad de la arquitectónica límpida del poema, que puede emocionar sí, pero que está allí como un objeto que primero debe ser pensado, hallado, para luego integrarse a la mirada del lector.Barbarito no habrá buscado entonces novedades ésteticas, porque ellas vienen solas de una poesía que responde a su tiempo, que como lenguaje es verdadero acaecimiento temporal, en los cuales, el amor, el duelo, la separación, y todo aquello dictado por el Angel, está allí, pero comunicado profundamente con una tradición que viene de Orfeo y que acucia a todo verdadero poeta, que debe bajar y subir del Hades, para consagrar eternamente el rito de la primavera.

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María Pugliese. Sobre Poesía quebrada de Carlos Barbarito

¿Ser poeta? Tal vez no quepa esta pregunta tan difícil de responder, pero sí viene al caso un intento de respuesta: hacer poesía sólo es mester de quien construya su vida a partir de esa necesidad, deuda que únicamente puede saldar aquél que retuerce su conciencia si no cumple con la obligación de testimoniar su tiempo, sus signos. Escribimos para no matarnos, la primera y última causa, las otras son una mera excusa. Y Carlos Barbarito es poeta.A veces parece barnizarse de una angustia que lo empuja ojos adentro a zambullirse en hambres, en luciérnagas, en alaque nos pertenecen. Va y viene atravesando el dolor por el que pretende comprehender el cosmos. Ese dolor lo quiebra, pero es fecundo y vuelve, siempre vuelve, semidiós o insecto, creador o criatura, intento por arraigarse en suave hálito amoroso y vital: respiración, ritmo, música, hablan de ello.Golpean en su poesía, en él, cuatro elementos que lo delatan: el número, la sangre, el hueso, la noche.El número perfecto, inabarcable, combinado hasta el infinito, casi eterno. La sangre que bulle y bulle en un ansia trágica de vida, se despliega y es tinta en cada verso, corre y crece como savia entre los huesos. El hueso lo perfila, sostén y esencia.En noches sin insomnios, Carlos sueña, cuece a fuego lento el barro del silencio, sueña, y sobre todo, como nosotros, espera...

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Fundación Alejandro González Gattone(1): Prólogo de Teatro de lirios de Carlos Barbarito

Los poemas que integran este libro fueron premiados en el I Certamen Poético “Alejandro González Gattone”, reservados en esta ocasión para poetas de la Norpampa argentina.Al cumplir con la edición de los mismos, pretendemos honrar la memoria del poeta desaparecido, cuya obra hemos recopilado y enaltecido y también la del intelectual, que por su oficio y vocación, estuvo siempre alejado del poder o confinado al silencio, situación que nuestras perversas costumbres reservan siempre para los espíritus más altos.Honramos también la densa y joven presencia poética de Carlos Barbarito, cuya obra merece ser leída con detenimiento y pasión porque él se incorpora, con entrañable devoción e impecable acento, a aquellas voces que se alzan “para que la última palabra no la tenga la muerte”.
(1) Escrito por Edna Pozzi.

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Alberto Luis Ponzo. Prólogo de Exodos y trenes de Carlos Barbarito

¿Quién, como poeta, no debe sacar su corazón del infierno? La intuición de este acto terrible, como todo lo que atañe al destino humano, pertenece a Francisco Madariaga. Pero además del infierno que posee la temperatura de todos los días de exaltación o ensimismamiento, son infinitas las cosas que el poeta saca de su corazón, cuando el mundo lo conmueve. Palabras, desde luego: clamores brotando de lo profundo, innumerables rostros: palabras que no existen como tales, sensaciones que no han sido nombradas y que deben remontarse hasta el sueño original, hasta su materia irrepetible. Y memorias, pesaillas, miserias del mundo, signos de la desesperación o la belleza, que a veces se confunden.Carlos Barbarito está en esa empresa como muy pocos de su generación. Escribir el poema es para él un acto inexplicable, inevitable y salvador. Su profunda sinceridad lo lleva a decir: Es tan terrible haber amado tanto/ y tener que resignarse a vivir entre desechos y fantasmas.Si todo lo que uno recibe es pasión, como escribió ese iluminado y tan carnal Jacobo Fijman, Barbarito no hace más que abrir su corazón a todo lo que ama, para recibir finalmente el fuego de la vida y las apariciones a veces desgarradoras de la verdad, que es, sin eufemismos, el alma del hombre de nuestra época.

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Dolores Etchecopar. Prólogo de El peso de los días

Lo inexplicable se cumple como un rapidísimo roce de catástrofes que precipita el habla del poeta. Quién sino él podría hablarnos con el habla rota, un idioma queincluye su propio derrumbe, la quebradura del saber, por donde fluye la poesía: fuente tumbada? Carlos Barbarito entra al país oscuro, pastor de palabras heridas, penetra al susurro de una memoria Devastada. En la mudez esa roja mula avanza, acarrea lapiedra de los sueños, camina por el deslumbrante universo de la oscuridad, hasta que empezamos a escuchar: el centro de una materia grave y densa,/por siglos y naciones y mares amada. Todo decir se pierde en el centro de esa materiaabandonada, expuesta al silencio enorme,incomprensible. Incertidumbre, vacío, deslizamiento hacia lo abisal de los gestos humanos (miran con ojos de corderos asustados \ la Gran lluvia del mundo). Instalados en el simulacro de una vida ya perdida antes de suceder, cuál es esa luz en el fondo de la noche aún invocada por los herederos del dolor, frágiles y locos herederos de una promesa negada? Cavados por el tiempo, soplan el panadero(1) de la muerte en la luz que no alcanza a iluminar toda la palabra que los atraviesa, relámpago de amor que no salva, rezo del poetaque cuelga una palabra vertiginosamente sola en el hilo de la noche.
(1) (Arg.) Semilla del diente de león.

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Cristina Piña. Prólogo de la luz y alguna cosa

Pocas veces el epígrafe elegido por un autor parece adecuarse de manera tan perfecta como el que Carlos Barbarito ha elegido para su último libro, La luz y alguna cosa, donde Gilles Deleuze, con su lucidez deslumbrante señala que "hay que proponer una lengua menor en el interior de nuestra propia lengua". Esta afirmación, que en principio podría aplicarse a toda poesía verdadera en el contexto de la devaluación de la palabra de la que padece este fin de siglo, resulta especialmente significativa para la de Carlos, quien, de espaldas a modas más o menos impostadas y frívolas, ha ido construyendo una obra personal, donde el lenguaje alcanza un laconismo admirable y una precisión creciente. Una obra, sobre todo, en la que se percibe ese grado de necesidad y de sinceridad, que, desde mi punto de vista, identifican a la poesía verdadera frente al mero ejercicio literario o la vana experimentación verbal.Esa necesidad y sinceridad se revelan en el compromiso de la voz poética con la encarnizada interrogación que emprenden sus poemas de ese núcleo de sufrimiento que entraña la condición humana, por estar sometida al tiempo y la contingencia. En relación con esto, creo que los diversos textos que forman las tres partes del libro, en el fondo se condensan en dos modalidades de una misma actitud: la visión desapasionada pero estremecida de la catástrofe del mundo y el dolor humano, y la afirmación de la presencia de la muerte y la precariedad en toda experiencia. Frente a ellas, la infancia, por momentos la naturaleza, se dibujan como un reino de inocencia para siempre perdida.Y esa poesía necesaria está escrita en una lengua menor pues, a partir de la amplia red de relaciones culturales que la sostienen -que van desde Buda a Montale, desde Jackson Pollock a Beckett y Klee- y cuyo manejo da cuenta de su condición de escritor posmoderno, Carlos construye un lenguaje que es como el reverso de las voces sociales hegemónicas y mayoritarias: una lengua a la vez escueta y de una densa materialidad, frente a una lengua a la vez abigarrada y vacía que nos invade desde los medios de comunicación y los centros de poder; una lengua que se aferra a lo concreto -un clavo en la boca, un muro, una lluvia densa, una tierra devastada o un caballo, un niño, un animal- y nos enfrenta sin la menor concesión al énfasis o la declamación, con las interrogantes fundamentales, frente al lenguaje hueco y ampulosamente afirmativo del mundo.Se ha dicho, y con razón, que el actual es un tiempo poco propicio para la poesía. Este libro de Carlos Barbarito nos demuestra que, inclusive en las épocas más adversas, puede brillar, como una rosa colérica, entre los escombros.

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Héctor Rosales. Prólogo de Piedra encerrada en piedra de Carlos Barbarito

Los textos que vienen a estas páginas de la mano del poeta Carlos Barbarito entablan diálogos anteriores al lector que ahora los visita. Otro tanto ha ocurrido, en buena medida, a lo largo de la obra de este autor argentino, de hondo aliento humanista, y dolorida, sincera, precisa visión del hombre y su complejo entorno.Son diálogos con otros creadores, citas en la memoria que darán lugar al entramado de percepciones, interpretaciones, nuevas maneras de abordar sucesos ajenos, que también son propios y, en suma, universales. En el trayecto marcado por estos poemas estarán, entonces, los ecos de un músico: John Cage, de un escritor: Marcel Proust, y de varios artistas plásticos: Frida Kahlo, Rothko, Ernst, Hopper, Motherwell, Klimt y la fotógrafa, aquí fotografiada con palabras, Tina Modotti. De ese intercambio cultural, donde se tamizan actitudes, vivencias y desenlaces, el poeta mantendrá luego su característico diálogo con el lector, el otro pacto, “como otro entra al espejo” de sus versos.Quien nos habla en los poemas nació al sur del mundo, un ámbito de relojes temibles, arqueros de la melancolía, que disparan sus agujas al centro del pecho, o traicionan cualquier espalda que los ignore. Las horas dudan sin norte que valga, crecen solitarias bajo el titilar de señales fronterizas.A veces pienso en el arte como en un viejo árbol, castigado por miles de vientos, y sin embargo erguido frente al acantilado de la incertidumbre existencial, afrontando al tiempo y sus velados designios. El árbol mira, cuestiona y expresa lo que ocurre a través de sus ramas, cada una de ellas (música, pintura, danza, etc.) portadora de hojas que dejan su rastro en la madera y se renuevan al compás de las estaciones. Caja hoja es un autor, un intérprete que calcula la situación de las raíces (necesidad de afirmarse en la rama) para después entablar su batalla particular con el acantilado.“¿Cuánto mide y pesa ahora la tierra?” ¿Cuánto en el sur? Porque las hojas que allí se agitan tienen muy claro que “la herida [del vivir] no es curable”. Los poetas sureños se preguntan, seguramente con angustia familiar a Frida: “¿cómo soterrar el dolor, / encontrar certeza más allá del cansancio?” Mientras se aferran a su rama (“la vida anuda”) y comunican su frágil, fugaz estancia en la intemperie, “a los pies del más perfecto desconocido”. “Lejos, el carnaval de lo ficticio”. En el aire el grito sordo de la hoja, y en la rama el musgo, que pactará la longitud del presente y será vacía escarapela del mañana. En el entreacto arderá la palabra cual hogar donde salvarse del desamparo. Quizás junto a Max Ernst y Barbarito habría que “erigir una casa / en el desierto” y dentro cumplir la vida a lomos del deseo, “libre de cifra”. Aunque habitamos el árbol, y sus raíces son madres, padres, hijos y amigos en nuestro pulso vital, referencias terrestres, datos del espíritu y jirones de tiempo que cosemos, remendamos con más fiebre que paciencia.Pero cabe recordar que hay un “pacto de la rama con el musgo”, un espacio tallado con luces, tajos, respiraciones, pequeños cristales, humos de barcos, mapas que dejaron los pájaros desertores, voces y nervaduras de otras hojas ya vencidas por el otoño.El sobrio y honesto escritor argentino participa de este pacto, lo comparte con nosotros.Y el pacto tiene nombre: poesía.

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Victor Bustamante Cañas: Prólogo de Amsterdam de Carlos Barbarito

Carlos Barbarito posee una voz, y cuando uno se refiere a una voz no es un decir como algo gratuito, un mero cumplido. El escritor no da concesiones, entrega la verdadera misión del poeta que es reconstruir su visión del mundo.En Ámsterdam confluyen todos los ríos, las calles y los desmadres. Ámsterdam es una suerte de poema-río, que se ríe y cuestiona, pero también es el desencanto y es la poesía misma en su estado puro. Elliot, Duchamp, Spinoza, Ahab, Mariane Moore, Robert Lowell, Avicena son las voces que le hablan y nos hablan y son presencia junto a esa sentencia final de Oscar Wilde; se constituyen en la parsimonia del canto, en ese dialogo entre quien escribe y quien sabe que en esas voces ha erigido su memoria para la construcción de su poesía. Lo importante es encontrar la expresión, diría el esteta.En el poema poco a poco nos vamos abandonando hasta concluir: "todo es tiempo), nada dura y hay siempre un límite; / somos playa y la playa no sobrevive."Definitivamente Ámsterdam es un gran poema y un palimpsesto.

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Guillermo Fernández. Prólogo de La orilla desierta de Carlos Barbarito

Probamos un gran pesimismo en cierta poesía de hoy. Pero cuando no es posible flirtear con ideas de celebración, como lo pudo haber hecho Walt Whitman o Saint John Perse, el oficio del poeta enfrentado a su realidad se torna más oscuro y difícil cuanto más coherente.
Tal es el caso de Carlos Barbarito, cuya obra, de un tono bíblico peculiar, no tiene, sin embargo, los consuelos del poeta de los Salmos.
El ojo de Barbarito, fragmentado en visiones como espejos rotos, solo está en capacidad de rendir cuentas de lo que percibe: un caos de cosas sin meta en el universo. A veces hay belleza, pero en contraste con una atmósfera trágica que es la res extensa del mundo, su fundamento y argamasa. Oprime en sus versos un materialismo fatalista que expresa la idea incurable del deterioro cosmológico, no como crueldad del tiempo, sino como mácula de nuestra propia existencia.
Materia de la poesía de Barbarito es la desilusión, pero una desilusión tratada sin solemnidad, ni filosofía. El poeta argentino traduce de la cotidianidad el tono específico de toda una época. Le bastan los elementos más simples para hacerlo: "Y el aire y el agua se empobrecen, pierden altura y medida...". Un recuento sensorial y doloroso acaba por llevar al creador a una búsqueda sin asidero: "Golpeo y no hay respuesta, / manos y manos, manchadas de musgo, / hollín y herrumbre". Por doquier la impureza es signo visible de la civilización que ha oscurecido y desacralizado el mundo. La culpa entreteje toda la naturaleza y le confiere esa textura de intensa corrupción humana.
Barbarito, en consonancia con la tradición poética de que el hombre y la mujer se han perdido a sí mismos, es el cantor melancólico de cómo esa pérdida se percibe en cada acto y expresión viva del entorno. Vientos que barren cenizas, frutos perforados, mujeres que orinan sustancias de miedo, el deseo sin pellejo, el amor cercado... ¡La vida vive una pesadilla y todo es engranaje de una equivocación desastrosa!
Con toda esa desesperanza, el verso de Barbarito es consistente: no se refocila en el dolor como el de Vallejo, sino que lucha contra su propia perplejidad, buscando empecinado la misma claridad secreta que arrojan, tal vez, las preguntas impotentes que le lanzamos a "ese error instalado en el mundo".

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Floriano Martins. Prólogo de Radiación de fondo de Carlos Barbarito

El poeta Carlos Barbarito empieza así su libro La orilla desierta (2003): Esta es mi vida, parece decir la hoja / que cae desde la rama / o la piedra que rueda por la ladera. Y aquí hay una dislocación estratégica que hace que el poeta salte de una esfera a otra. No es el poeta quien dice: Esta es mi vida, como se podría pensar en el primer momento, sino la naturaleza, que aquí nos habla a través de la hoja y de la piedra. Sin embargo, al mismo tiempo sabemos que es el poeta quien le presta la voz. Entonces se transmuta en piedra y en hoja para que nos aproximemos a la intimidad existencial de la naturaleza. No en vano y casi al final encontramos en este libro la indagación: ¿Quién vive? ¿Quién / es visible, tras sábanas, / trasiegos? ¿Qué / alcanza brota, pulpa? -para mí, debería ser este el poema final del libro, pues me parece vital que las cosas siempre se encierren con una indagación cortante.De alguna forma, La orilla desierta es un libro que nos prepara -o esencialmente prepara a su autor- para la entrada en Radiación de fondo (2005), si consideramos que allí tenemos casi un inventario de la desnudez, en todos los sentidos. Es como si ahora percibiésemos lo que cada uno hizo con su visibilidad, algo que responda a la pulsante indagación: ¿Hay algo afuera, / detrás de la última piedra / más allá de los altos tallos / que crecen sobre el horizonte? Y una vez más se confunden las voces -siempre estratégicamente-, del poeta y de la naturaleza. Y siempre hay un lector apresurado que insiste: la llave, ¿cuál es la llave de esta poética?Carlos Barbarito posee el fascinante don de no entregar al lector nada más que pistas; jamás la llave. Y una de las pistas intrigantes de su poética está en la palabra desnudez y sus correlativos que se repite exhaustivamente, de libro en libro, y que en este Radiación de fondo transita como un guia, una intrigante especie de iluminación por encima de todo el error y toda la ceniza. Ahí está la marcante presencia del inventario de las cosas que desaparecieron sin que hubiesen sido totalmente conocidas. Tanto en el poeta como en la naturaleza, el inventario de las máscaras que no se revelaron o entonces que se deshicieron sin centro de razón o de misterio. Evidente que la presencia de este nudus mantiene su seductora ambigüidad: tanto es privación como revelación, tanto lo que falta como lo que se muestra. Inventariarla significa provocar al lector ( ¿un gran guionista?) -y también al propio poeta- para que separe la paja del trigo. Y a veces esa dualidad nos convence de su eficacia. Hábilmente el poeta hace con que el lenguaje navegue entre el vacio y la plenitud, flujo y reflujo, provocando algo de malestar en la constatación de este tránsito. Es un juego, claro. No hay duda de que el lenguaje es un juego. Sin embargo su astucia está en el hecho de que se realice sin adornos, o sea, también el engaño está desnudo. Y en esto radica la grande fuerza de este libro.Al conversar con el poeta, me ha dicho que le gusta la idea de la poesía como un modo de la radiación, una radiación siempre diversa, polisémica surgida desde el fondo de nosotros mismos, y ahí está un terrible secreto que (nos) revela: la fuente de la radiación, una radiación de fondo, cósmica hasta el punto en que cósmica es la existencia humana, esencialmente un chorro -¿imprevisible? -¿atraído?- de lo más negro que hay en el hombre, y en su relación con la naturaleza. No basta con decir eso por supuesto, para que el libro se abra como un testamento delante del favorecido. La poética de Carlos Barbarito viene hábilmente provocando una inquietud entre la cosa y su desmoronamiento, entre lo que imaginamos ser y lo que de un momento a otro se deshace. Como él mismo lo sugiere en un poema de La luz y alguna cosa (1998), somos al mismo tiempo una cosa y otra cosa, o varias e inclusive las que no conseguimos nombrar.Y tenemos todavía esa pasión declarada de la poesia por la ciencia, como lo recuerda el poeta ("mi fascinación por la astrofísica"), donde el abismo no es tan grande como parece, o sea, la radiación cósmica de fondo está intimamente vinculada a la paralaxi, que, a su vez bien podría ser una figura de lenguaje, un dislocamiento de la retina, una variación, sí, una variación. Pero ¿qué hacemos con las distintas -entre infinitas e inconciliables- maneras de ver el mundo?. No puede haber correción de ángulo, ya que no se puede dar por cierto lo que no pasa de una confesión o aprensión. De vuelta al principio: Esta es mi vida, parece decir la hoja / que cae desde la rama / o la piedra que rueda por la ladera. Al buscar un desnudo intenso, la poesía de Carlos Barbarito descubre que son infinitas las capas de nudez que se disfrazan de vestimenta, y que tal aventura es tan inagotable como lo es la propia vida.Esta descubierta de un aspecto envuelto en mil aspectos es algo que podría haber alcanzado otro cuerpo, si acaso arte y ciencia no hubiesen sufrido, en un momento dado, de una vanidad galopante, dejando al hombre completamente desnudo. Radiación de fondo, bajo cierto aspecto, expone esta nudez –y cabe mencionar la referencia a Pascal en el epígrafe con que abre el libro -, inquiriendo sobre sus razones y lo que hacer ante una vida sin artificios. Es como si oscilase entre la negligencia y la transgresión, el hombre -¿también el poeta? - ¿también el lector?- ya no se sabe a quién imputar la culpa. Y cuanto más se desnuda, no se encuentra culpa sino imprudencia, crímen, hesitación, perjuicio, su inventario inacabable. ¿Nos llena la razón de culpa? ¿No nos alimentamos de otra cosa que no sea de culpa? ¿Será esta nuestra radiación de fondo?
(Traducción de Ana María Rodríguez González)

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viernes, junio 24, 2005

Carlos Barbarito. Sobre Kinky and Blissful de Norbert Guthier

Kinky and BlissfulEdition Olms ag, Zurich, 2001, 160 páginas.

El Eros me parece, decía Constantino Cocco en los años 70, el medio de comunicación y de expresión más profundo a disposición de todo ser humano.
Ahora, siguiendo este pensamiento, pocos modos de expresión han sido objeto de tanta degradación como el erótico, a lo largo de la historia.
Una y otra vez exige ser revalorado, devuelto a su auténtica condición, y esto es, como bien afirma Cocco, a través de un rescate de su ubicación "tradicional" en lo privado para situarlo en la esfera de lo público.
Con ello se quiere decir que lo erótico debe ser visto como un derecho de toda persona y no como, concluye Cocco, mercancía disciplinada por un rígida escala de valores de intereses patrimoniales.

Pero el problema es arduo y presenta una ambigüedad central: bajo el rótulo de la "liberación" muchas veces aparece una comercialización, más o menos oculta, que no hace sino confirmar aquello contra lo que sostiene combatir.
El desarrollo de la sociedad de consumo aceleró el proceso y "provocación" y "transgresión" son objeto de comercio, de manipulación comercial, y, se sabe, con ello triunfa el concepto de "la naturaleza humana como mercancía" y Eros debe emprender la retirada.
Un modo de conjuro sobre una fuerza antigua y profunda, es decir, como sostenía Pasolini, se muestra enteramente a un hombre y a una mujer por fuera pero se evita que se lean sus almas.

Ahora, también en esto hay elección estética.
El propio Pasolini habla de ello en un escrito de hace décadas: Tomemos un escena de laboratorio.
Una cámara, un hombre, una mujer.
El director está frente a la acostumbrada elección: ¿qué incluir y qué excluir? Hace veinte años (Pasolini se refiere a los 50) el director habría incluido una serie de actos apasionados y notablemente sensuales, hasta terminar en un largo beso.
Hace diez años (ahora habla de los 60) el director habría "incluido" mucho más: después del primer beso habría llegado el momento en que las piernas, y casi completamente, los senos de la mujer, fuesen descubiertos, añadiendo un segundo beso claramente precedente del coito.
Hoy (habla de los 70) el director puede "incluir" mucho más: puede incluir el mismo coito (aunque falseado por los actores) y desde luego el desnudo completo.

Cada director, entonces, hizo una elección: ¿qué mostrar y qué ocultar? Pero la elección no es sino la ocupación del espacio que el contexto social y político le concedía.
Pasolini, en este mismo texto, habla de su decisión de ir más allá de lo permitido y representar el sexo en detalle.
No le fue fácil, al contrario, aumentar todavía más, esas son sus palabras, las posibilidades de lo representable.
Es decir, llevar el fenómeno fuera del "área de permisibilidad" donde lo erótico queda confinado - o, lo que es lo mismo, inmovilizado, domesticado y consumido - para, entre otras cosas, tratar de recuperar una realidad física que el consumo desrealizó.
No habría llegado, afirma Pasolini, al fondo de la representación de la realidad corpórea si no hubiera representado el momento corpóreo por definición.

Desde entonces pasaron treinta años.
El "área de permisibilidad" se extendió pero no con ello lo erótico se mueve libremente.
Por el contrario, el proceso de desrealización del cuerpo continuó sin tregua y sus efectos, ya percibidos en días de Pasolini, nacidos de la duplicidad de pretender ser sexualmente libre y, al mismo tiempo, conformista, son la neurosis, la insatisfacción y la infelicidad.
¿Qué decir de nuestro país, de su sociedad, que desde hace décadas vive inmersa en la cultura del consumo y, en los últimos años sobre todo, no dispone con frecuencia de lo mínimo admisible?

Me parece que la tarea del artista sigue siendo, y creo hoy más que nunca, la transformación en realidad del cuerpo, la descomercialización de sus relaciones, desesperado recurso antes de que el último lugar donde todavía se refugia el hombre acabe por ceder señorío a una máscara, una patética sombra.

Norbert Guthier (1954) es un fotógrafo alemán y su libro Kinky and Blissful* se encamina en esa dirección.
Por fortuna, no hay en su obra la representación de los cuerpos como lo hace la publicidad, por ejemplo, que siempre me han parecido figuras planas, sin volumen, autosatisfechos, banales, que, luego de espasmódicos bailes, dejan en el suelo desperdicios, latas vacías, botellas vacías, restos de comida.
Por el contrario, los cuerpos en Guthier adquieren a los ojos del observador corporeidad, masa y peso, no como producto de una simulación del artista sino porque son frutos de una decisión suya de arrancarlos de la unidimensionalidad.
Entre esos cuerpos se establece una intrincada, muy compleja red de relaciones: a veces ambiguas, otras veces basadas en juegos de opuestos (a los que me referiré más adelante), enmarcadas en exteriores o en interiores.
Estas conexiones entre los cuerpos se dan en amplia variedad, ya que tienen lugar amparadas por sedas hasta ser objeto de la aspereza de sogas, maderas y piedras.

Algo que me llamó la atención es la recurrencia de Guthier a los opuestos.
Desde el comienzo hasta el final del libro, en numerosas ocasiones, rubio-castaño, rugoso-suave, pétreo-blando, delgado-obeso, inocente-perverso, negro-blanco... en fotografías donde los cuerpos se aproximan en visibles o semiocultas dualidades, hombre-mujer, mujer-mujer, mujer-reptil, hombre-hombre.
Todo esto en variados escenarios, exteriores de bosques, ante antiguos edificios, cerca de formaciones rocosas, en espacios más o menos desiertos, en interiores vacíos o de iglesias abandonadas.

Otros establecen límites entre "erotismo" y "pornografía".
Este límite no es, si vemos la historia del arte, el mismo, su reubicación a lo largo de la historia obedece a los entornos sociales.
Es, en otras palabras, una convención a la que artistas como Guthier hace caso omiso.
Y le da lo mismo representar escenas dignas de una historia del Romanticismo (hombre atado a un árbol- mujer que lo mira- mujer que lo abraza y desata- hombre y mujer que andan juntos de la mano) hasta imágenes oscuras y ríspidas tomadas del arsenal sadomasoquista (senos encadenados, atados con sogas, penes envueltos en gruesos hilos, hombres y mujeres que penden o están crucificados).

En mis numerosas frecuentaciones al libro, fui desentrañando, de a poco, los elementos que lo componen.
Y, también, de qué modo esos elementos aparecen aquí y allá, en diferentes espacios y momentos, para conformar una poética.
Me parece que la poética de Guthier es lo que yo llamaría "una geografía de la carne y sus infinitos anhelos", un territorio que no excluye lo oscuro y secreto, polisémico, que no duda en ir más allá de la especie para tocar otras pieles, más frías, más duras y ásperas.

Incluso, Guthier, en varias ocasiones, va más allá de su arte, invade zonas de la plástica, torna los cuerpos en esculturas que parecen hechas de ébano, de resinas, de piedras blandas, emparenta sus fotografías con la pintura, incluso recurre a simular en ellas el entramado del lienzo.
En alguna fotografía, funde el cuerpo femenino con una pared descascarada, hace que la carne sea indiferenciable del muro gastado por el tiempo.

A veces, preside el hieratismo, como en el arte egipcio.
Las figuras, de frente o de perfil, se nos aparecen inmóviles, detenidas en el tiempo.
Algunas tienen los ojos cerrados, como sumidas en un profundo sueño.
Algunas miran al espectador.
Algunas parecen sorprendidas por alguna intrusión, la del que mira o la de algún otro que apenas si puede sospecharse, fuera de escena, y responden con cierta vergüenza o con agresividad.
En otros momentos, lo que predomina es el movimiento: las figuras corren y casi salen del marco, emprenden veloces carreras por un camino boscoso, se alejan o se aproximan.

Hay una sucesión de fotografías que me parecen ejemplares en cuanto a la propuesta de Guthier.
Arrancan en página 128 y terminan en la 142.
Primero, una adolescente, desnuda, de perfil, en cuclillas, tiene el pelo largo hasta casi el suelo.
Luego, casi fuera de foco, las piernas de un hombre, su pene.
Seguido, dos hombres, uno de espaldas, el otro visto de frente, exhibe su sexo.
Enseguida, el hombre que estaba de espaldas aproxima sus labios al pene del otro.
De inmediato, es una mujer, de mirada tan angelical como la primera, aferra el sexo del hombre con ambas manos.
Y en la siguiente fotografía, está por pasar su lengua por el pene.
Y en la siguiente, se lo introduce en la boca, pero la toma no permite ver en detalle lo que sucede.
Hay entonces una página en blanco y la siguiente hay otra mujer que se nos aparece de frente, ya sin ocultamientos ni zona oscuras, practicando una fellatio.
Más adelante, casi fuera de foco, un hombre sosteniendo su sexo - esto me trae a la memoria cierta pintura de Schiele -. Y, finalmente, un pene con densidad y textura de madera, envuelto en sogas.
El arte de Guthier, se ve, no nos ofrece sosiego porque se mueve en base a lo imprevisto, a lo proteico.
Todo es aparente, todo está sujeto a cambios, lo que vemos no es lo que es, lo que es no es lo que vemos.
¿Qué es inocente y qué es perverso? ¿Qué nos está permitido y qué nos está prohibido? ¿Hay límite, frontera, código, ley? -parece preguntarnos el artista cada rato.

Como dije antes, en Norbert Guthier, los cuerpos procuran ser reales.
Son fantasmas, apariciones, sombras, transparencias que, besando, lamiendo, penetrando y siendo penetrados, abrazando, dejándose atar y desatar, pendiendo de cables y sogas, tendidos en la hierba, en la piedra y en la arena, procuran adquirir entidad, medida, peso.
Consistir, existir.
Ser materia, con peso y masa, y de ese modo establecer un sitio, el último, para el hombre.

Publicado originalmente en: http://www.elangelcaido.org/libros/038libro.html

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Carlos Barbarito: Sobre cuentos de 'San José Oculto'

Selección y prólogo de Tomás Saraví. Grabados sobre metal de Juan Bernal Ponce. Fotografía de portada de Fernando Francia. San José de Costa Rica, Ediciones Andrómeda, 2002. 164 p.



Soy una criatura urbana. Nací en una ciudad de la provincia de Buenos Aires, Pergamino, rodeada de vastos y ricos campos, pero a esos campos siempre los atravesé en algún vehículo con rumbo a la capital sin el menor deseo de detenerme.En algunas pocas ocasiones pernocté en alguna casa de campo, si bien me maravillé con la profusión de estrellas que permite ver la escasa o nula iluminación eléctrica, no tardé en aburrirme ante tanto silencio y oscuridad. En general mi poesía transcurre, tiene como telón de fondo, a la ciudad - en escasas ocasiones Pergamino, con la que mantengo una compleja relación de amor-odio y en la mayoría de las veces Buenos Aires, enorme e inagotable urbe en la que, no me cansaré de decirlo, volví a nacer, o, mejor, nací realmente -.

Pergamino es una ciudad de llanura, de una monotonía que me desespera. Me desespera tanto gesto repetido, la carencia casi total de sorpresas, esa permanente sensación de que hay otros que miran aunque uno camine por una calle vacía y a medianoche. Un lugar del mundo, hay muchos otros semejantes y sin salirnos de la provincia, donde se tiene la sospecha de que no hay sexo. Donde se percibe una ausencia de vida si entendemos por vida lo imprevisible, lo azaroso, la incertidumbre, el misterio de lo erótico, la existencia de lo oculto, lo secreto, lo mágico. No, por el contrario, en ciudades así, lo que predomina es lo previsible, lo reglado, lo conocido, lo formal, el culto por la apariencia. En ese entorno vi perderse a creadores en potencia que no optaron por otros rumbos. Otros se resignan al útero donde encuentran seguridad, el aplauso fácil de sus colegas, y así se sumergen cada vez más en el conformismo - esa otra forma de la muerte -.

Sin embargo, si bien pocos, mi ciudad natal esconde misterios. Seres y lugares ocultos que fui descubriendo por mí mismo o por intermedio de otros, que en general pasan desapercibidos - léase temor, sentimiento hegemónico en este tipo de sociedades -. Mientras leía el fascinante prólogo de Tomás Saraví a este libro que aquí me ocupa, pensaba, entre otras cosas, en una historia que me contó mi madre acerca de un hombre con cara de oveja que sus parientes escondían en el sótano de una vieja casa, en una mujer que vimos una noche mi hermana y yo, inmóvil, con un largo abrigo movido por el viento, con la mirada fija en algún punto en el cielo - y a la que César Bandin Ron, un poeta y crítico de arte, me aseguró haber visto en una solitaria playa -, en un viejito con largo pelo y abundante barba blanca, que llamó a la puerta de casa a pedir pan justo en el momento en que yo leía, con pasión adolescente, el versículo bíblico que habla de los ángeles que mendigan para probar la caridad humana. Pensaba también en el retrato de un curandero famoso, Pancho Sierra, que mis bisabuelos tenían en su dormitorio, santo gaucho al que mi bisabuelo vio curar a un moribundo gracias al simple expediente de hacer que lo subieran a un caballo y ordenar que lo hicieran dar tres vueltas alrededor de la casa. Aquí abajo - me dijo mi abuelo una tarde - hay restos de animales antiguos, gliptodontes; entonces andábamos a orillas del arroyo Pergamino, que corta a la ciudad en dos y que inundó muchas veces ciertos barrios cercanos y, hace pocos años, la mayor parte del casco urbano. Este arroyo - me dijo mi madre - tiene una comunicación subterránea con el mar; luego me contó de caballos y jinetes tragados por esas aguas traicioneras y jamás encontrados.

Acaso ser poeta sea tener inclinación por lo oculto, secreto. Y no hablo de quien escribe poemas sin más, hablo de todo aquel, incluso quien no escribe versos, que siente fascinación por lo que otros no ven aunque estén a pocos pasos de distancia. A medida que nos gana un modo de vida que excluye lo misterioso, en nombre de una razón con nítidos perfiles de demencia, la misma que ahora prepara nuevas guerras, algunos se niegan a aceptarlo - nuevos Baudelaires que crían modernas flores del mal en habitaciones escondidaso recorren las ciudades para descubrir o imaginar lo que esa supuesta razón expulsa, obvia, margina -. Este libro así lo demuestra y lo celebro.

Tomás Saraví seleccionó relatos de siete escritores costarricenses: Alfonso Chase, Alfonso Peña, Myriam Bustos Arratia, Guillermo Fernández, José Ricardo Chaves, Alexánder Obando y Rodrigo Soto; agregó un cuento de su autoría. La intención de este volumen es, según el prologuista, ayudar a la comprensión del conurbano que integran San José y las ciudades que la rodean, Alajuela, Heredia y Cartago, más los pequeños pueblos circundantes. Esta comprensión significa, aquí lo atractivo del libro, acceder al lado secreto de la urbe - no al turístico, aunque, es necesario decirlo, los turistas pasan velozmente por la capital de Costa Rica y se dirigen hacia los hermosos paisajes situados fuera de ella -. Por secreto se designa tanto lo imaginado por los escritores - que, nos dice Borges, no es menos real-, como las librerías de ocasión hasta las que esconden bibliografía hermética, esotérica-, los pasadizos situados bajo la tierra y ciertos carteles inquietantes que señalan la presencia de grupos masones, de logias.

Ya en el prólogo, Saraví nos sorprende diciendo que luego de publicar su cuento Cae la pata del elefante - en el cual hay referencias, que el autor creyó salidas pura y exclusivamente de su cabeza, a cierto triángulo simbólico formado por una logia masónica, una sociedad teosófica y un lugar de reunión de templarios- un masón le comunicó su sorpresa ante tal noticia - ¿cómo estás enterado de eso? - le preguntó.

Este libro - ilustrado por el chileno Juan Bernal Ponce, radicado en Costa Rica desde los setenta- resulta una reunión de ambas aguas de esa misma agua que llaman la realidad. Seres de carne y hueso y fantasmas se juntan, la historia y el mito se confunden, vigilia y sueño se convierten en una sola cosa. Una frase en un cuento de Guillermo Fernández, De suicidios y fraternidades, me parece, reveladora al respecto: En la ciudad hay muchos rostros, vericuetos, precipicios. Sólo una literatura abarcadora, compleja, heterodoxa puede intentar la tarea de sondear en esos vericuetos y precipicios. En estas páginas se aglutinan la música y las palabras de King Crimson, anónimos taxis y buses, las drogas, veloces motocicletas, extrañas y absurdas hermandades, amores y crímenes, el vértigo y la sangre, pasillos, calles, barrios... Cuentos del San José oculto cumple con ese cometido y, acaso contrariando lo expuesto en el prólogo, no contiene noticias de sectas, ceremonias iniciáticas y alquimistas, nos trae, con alguna excepción, otros misterios, más cotidianos, más expuestos, y sin embargo, como aquellos, ajenos a la diaria experiencia de los que, como dice Daumal, se despiertan, se visten, salen, caminan, comen, hablan, leen un diario y siguen dormidos.

Publicado en: http://www.materika.com/resenas/san_jose_oculto.html

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Carlos Barbarito. Sobre Un nuevo continente. Antología del surrealismo en la poesía de nuestra América.

Un nuevo continente (Antologia del surrealismo en la poesia de nuestra América), de Floriano Martins. Ediciones Andrômeda. Costa Rica. 2004.
¿Surrealismo, todavía? -podría preguntarse el lector-. Respondo con otra pregunta: ¿Por qué no? Algunos, más de lo que otros querríamos, verán en el surrealismo un espécimen conservado en formol. Así, para su estudio se precisaría, según ellos, un experto en disección. Y, también, un remedo de Linneo para ubicar a esta bestia ya sin vida dentro del sector zoológico-literario del pasado, con un rótulo atado al dedo pequeño de una de sus pies -o patas-. Se olvida que el surrealismo -de un modo casi único, me arriesgo a decir único- dentro del universo del arte fue más que una expresión, fue una interpretación de la vida, un instrumento para el conocimiento, en otras palabras -y como bien anota Aldo Pellegrini- una concepción del mundo. De este modo, al contrario de lo que podrían pensar algunos, el animal respira, vive, nos roza y nos acompaña todavía al cabo de décadas de existencia. La afirmación de una ética, formulada por Breton, es, para el arte todo, y no sólo para el arte, un objetivo insoslayable -ya visto antes por Kierkegaard en el sentido de hacer de ética y estética una misma cosa-.
Alguna vez leí que el surrealismo sólo podía nacer en Francia y dentro de Francia, en París. El que así pensaba daba sólidos argumentos en su favor. Entonces, ¿cómo hacer para dar cuenta del influjo surrealista en América, en Japón, en Egipto? Si bien esta vanguardia tuvo su origen en Francia, a diferencia de otras también surgidas en ese país, el surrealismo, por sus alcances, conformación y objetivos, superó la estrecha condición de arte con tal y cual características para ser un organismo activo, poderoso y sumamente abarcador. Fue, desde sus inicios, de nuevo Pellegrini, un amor concreto lanzado a la lucha activa contra los males que mantienen al hombre sumido en la mentira y la abyección, esas dominantes que subyacen al esquema moral de nuestra sociedad. Y también fuego graneado contra la imbecilidad, la sucia, perversa y siniestra imbecilidad, que tan fácilmente se adueña del poder, y maneja a los hombres y las conciencias.
Dos ideas-fuerza impulsaron al movimiento: la libertad y el amor. ¿Podemos aquí y ahora proponer algo diferente? No, seguro que no. Y en esto radica, me parece, su vigencia. Hacia 1965, Pellegrini decía: Los males denunciados por el surrealismo hace cuarenta años no sólo persisten sino que se han acentuado. Hoy, en 2004, ante la enumeración de esos males que hace el intelectual argentino -falsos esquemas, resquebrajamiento de la sociedad en todos sus planos-, sentimos que el proceso denunciado por Breton y los suyos prosigue y se profundiza hasta lo inconcebible. Libertad y amor, dije. Realización integral del hombre y su frustración de la que sólo se logran esclavos o tiranos; amor concreto -como se vio antes- y no bobaliconada, no beneficencia.
Entonces, es motivo de celebración la edición de esta antología. Lo sé, este libro es fruto de largo y paciente trabajo, de trabajo conjunto aunque en la cubierta aparezca sólo el nombre de su mentor, Floriano Martins. Poetas, artistas plásticos y traductores sumaron su talento y esfuerzo para concebirlo. Se trata de la unión de jóvenes puros -no importan las edades, cuando de estos emprendimientos se trata, como en el momento del amor, siempre se trata de jóvenes puros-. Los antologados son poetas de toda América, desde Argentina y Chile hasta Estados Unidos y Canadá, y la selección me parece acertada y rigurosa. Así, hay un espacio para César Moro, otro para Aldo Pellegrini, otro para Enrique Molina, otro para Philip Lamantia, a quien he visto en libros tanto de surrealismo como dedicados a los beatniks. Ahora bien, que me refute Martins si me equivoco, la influencia del surrealismo es de tal magnitud que agrupar toda la poesía del continente que la recibió llevaría varios volúmenes; aquí, en este libro, se toman en cuenta las cimas, los más valiosos ejemplos, los más significativos. No podía ser de otro modo.
Junto a Molina y Pellegrini, dentro del conjunto argentino, se ubican Julio Llinás, Francisco Madariaga, Olga Orozco -con la que mantuve una breve y enriquecedora amistad- y Alejandro Puga -a quien descubro gracias a este libro-. Sólo para dar noticia más abundante -para los lectores extranjeros y también para los desprevenidos connacionales- traigo otros nombres: Carlos Latorre, Juan José Ceselli, Juan Antonio Vasco. Estos poetas conforman el núcleo más próximo al surrealismo, sus postulados y características, otros si bien presentan marcas surrealistas en sus textos no se constituyen como surrealistas -Ernesto B. Rodríguez, entre otros varios, es más bien nerromántico, pero, afirma Graciela de Sola, el neorromanticismo es una de las formas de la visión surreal-. En Argentina el surrealismo comienza a difundirse en la década del 30. Incluso, opina Antonio de Undurraga, hay autores que, si bien no pueden ser llamados surrealistas, se aproximan al clima onírico y supra-real: Alfonsina Storni, en el caso argentino. No debe olvidarse la lectura pública de García Lorca de su aún inédito Poeta en Nueva York llevada a cabo en Buenos Aires. Hacia 1940 la irrupción del neorromanticismo -que César Fernández Moreno llama confluencia romántico-surrealista- que acoge diversos modos y estilos y una pluralidad de búsquedas que van desde un retórica filo-hispánica y el simbolismo hasta formas próximas al ultraísmo. Orozco, Molina, Bosco, entre otros, componen este grupo. De algún modo vinculado al surrealismo se cita con frecuencia a Oliverio Girondo, también a Enrique Ramponi. Pero, estrictamente hablando, el surrealismo argentino se da en torno a tres publicaciones: Que (1928-1930), A partir de cero (1952-1956) y Boa (1958).
Me hace feliz tener este libro en las manos. Esto por varios motivos: el asunto de las vanguardias constituye mi pasión desde siempre y dentro de los que trabajaron en su publicación hay amigos, Floriano Martins, Alfonso Peña, Fabio Herrera, Claudio Willer. Pero el motivo más importante de todos es que esta edición -bella por cierto- confirma la supervivencia de una idea, de un mensaje, de un deseo -que sigue siendo futuro- de fusión sueño y realidad, realidad absoluta en la que lo maravilloso lo sea todo. Concluyo estas breves líneas con una frase de Breton: ...lo maravilloso es siempre bello, cualquier especie de maravilloso es bello, y no hay fuera de lo maravilloso que sea bello.

Publicado en: http://www.revista.agulha.nom.br/ag42livros.htm

posted by Carlos Barbarito at 10:37 a. m. 0 comments